Acervo oficial · OLACEFS + GIZ
Exemplos de injustiça climática
A Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores (OLACEFS) é um organismo internacional, autônomo e independente que, desde 1963, atua como espaço regional de cooperação e intercâmbio de conhecimentos entre as EFS de seus 22 países membros, promovendo o controle externo governamental, a transparência e a governança.
A OLACEFS e a Cooperação Alemã (GIZ), por encomenda do Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha, implementam o projeto regional de promoção de medidas de adaptação às mudanças climáticas impulsionadas pelas EFS, criando condições para auditorias de infraestrutura sustentável com enfoque em justiça climática, direitos humanos e sustentabilidade.
A seguir, três casos de injustiça climática na América Latina e no Caribe evidenciam como a mudança do clima agrava desigualdades naturais e socioeconômicas preexistentes.
Fotografias reais dos casos citados. Créditos indicados em cada imagem.
Injustiça climática na região
É importante distinguir entre ameaças naturais e desastres. Furacões, secas, terremotos ou chuvas intensas são ameaças, mas só se transformam em desastres quando atingem populações, infraestruturas ou ecossistemas expostos e vulneráveis. Os desastres não são naturais: resultam da interação entre a ameaça, a exposição e as vulnerabilidades sociais, econômicas, ambientais e institucionais.
O risco não afeta todas as pessoas da mesma forma. Populações em situação de pobreza, exclusão social ou deslocamento forçado apresentam maior exposição e menor capacidade de resposta, de modo que os desastres aprofundam desigualdades preexistentes.
1. Enchentes no Rio Grande do Sul (Brasil, 2024)
As inundações ocorridas entre abril e maio de 2024 configuraram um dos maiores desastres socioambientais da história recente do Brasil. Os efeitos recaíram de maneira mais intensa sobre populações em áreas de maior insegurança socioambiental, com habitações precárias, ocupação irregular e déficits históricos de infraestrutura urbana.
2. Corredor Seco Centro-Americano
O Corredor Seco e as zonas áridas dos países do SICA constituem um território onde vivem cerca de 21 milhões de pessoas em áreas rurais (principalmente Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua). O aumento da frequência e intensidade das secas, alternadas com precipitação extrema, compromete a produção agrícola, a disponibilidade de água e a segurança alimentar, afetando sobretudo a agricultura familiar de subsistência.
3. Impactos sobre povos indígenas amazônicos
A Amazônia concentra alguns dos casos mais expressivos de injustiça climática. Povos indígenas enfrentam impactos cumulativos da mudança do clima, do desmatamento, dos incêndios e da expansão de grandes obras de infraestrutura. Embora tenham contribuído minimamente para as emissões globais e desempenhem papel fundamental na conservação das florestas, estão entre os grupos sob maiores riscos.