Plataforma de Justiça Climática

Impulsionada pelas Presidências da Comissão sobre Gênero, Inclusão e Diversidade (CGID) e da Comissão Técnica Especial de Meio Ambiente (COMTEMA) da OLACEFS, a Plataforma de Justiça Climática oferece um canal para o intercâmbio de boas práticas e visualização de normas e ferramentas de auditoria para apoiar a comunidade auditora e pessoas tomadoras de decisão na integração da justiça climática à prática do controle externo.

Ilustração de pessoas colaborando ao redor de uma balança, representando a justiça climática

Palavras das Presidências da CGID e da COMTEMA

Dra. Pamela Calletti
Para que o desenvolvimento seja verdadeiramente sustentável, inclusivo e focado nos direitos humanos, é essencial incorporar a perspectiva da justiça climática no controle governamental.
Dra. Pamela Calletti Presidenta da CGID
Dr. Camilo Benítez
A justiça climática exige colocar os direitos humanos e a equidade no centro do controle público; portanto, essa plataforma nasceu como um espaço regional para sistematizar boas práticas, trocar ferramentas e fortalecer a resposta de auditoria às mudanças climáticas.
Dr. Camilo Benítez Presidente da COMTEMA

Fundamentos e estratégias

O que é justiça climática?

Justiça climática é uma abordagem que integra os Direitos Humanos, a justiça social e a proteção ambiental no enfrentamento dos impactos das três crises planetárias - climática, da biodiversidade e da poluição - que afetam desproporcionalmente as populações que historicamente menos contribuíram para elas. Promover a justiça climática significa colocar no centro da tomada de decisões:

Equidade e Inclusão

Não se trata apenas de minimizar os impactos negativos das mudanças climáticas sobre as populações vulnerabilizadas, mas também priorizar suas necessidades e interesses, fortalecendo iniciativas voltadas à promoção dos direitos das mulheres, dos povos indígenas, das pessoas afrodescendentes, das pessoas com deficiência, da população LGBTIQ+, de imigrantes, entre outros grupos minorizados.

Responsabilidades comuns, porém diferenciadas

Buscar garantir que os benefícios da ação climática sejam distribuídos de forma equitativa entre países e populações, ao mesmo tempo em que reconhece que a responsabilidade pelo enfrentamento da mudança do clima é comum, porém diferenciada, considerando as diferentes capacidades e as contribuições históricas de cada país para a crise climática.

Participação Social

Incorporar a consulta, envolvimento e participação efetiva das comunidades mais injustamente afetadas pela mudança do clima em todas as fases das políticas públicas.

Ilustração oficial sobre justiça climática

O controle externo e a justiça climática

As Entidades Fiscalizadoras EFS podem atuar como garantidoras de que as políticas climáticas e os investimentos em infraestrutura sejam justos, transparentes e eficazes, convertendo a auditoria em uma ferramenta para proteger as comunidades mais vulneráveis e promover a justiça climática.

Uma auditoria com perspectiva de justiça climática tem por objetivo avaliar se as políticas climáticas chegaram a quem mais necessita delas, se respeitaram os direitos das comunidades afetadas e se geraram mudanças reais nas condições de vida das populações mais vulneráveis.

Ilustração oficial sobre controle externo e justiça climática

Estratégias-chave para a promoção da justiça climática pelas Entidades Fiscalizadoras

Incorporação da perspectiva de justiça climática nas auditorias
Conformidade

Não basta que existam normas que protejam as comunidades vulneráveis; é necessário verificar se essas normas são efetivamente aplicadas na prática. As perguntas de uma auditoria de conformidade buscam verificar a existência de diagnósticos diferenciados por gênero e etnia, mecanismos de consulta, medidas de proteção de direitos, espaços de participação e programas de compensação.

Desempenho

O desempenho não é medido apenas em termos técnicos, mas também em termos de impacto equitativo: os resultados chegam a quem mais necessita deles? As perguntas orientadoras avaliam se essas medidas tiveram impacto real: se as lacunas de acesso foram reduzidas, se a participação foi genuína e se os mecanismos de reparação funcionaram.

Institucionalização nas Entidades Fiscalizadoras
  • Incorporar diretrizes de justiça climática em regulamentos, políticas internas e códigos de ética, garantindo coerência entre o discurso e a prática institucional.
  • Promover a capacitação contínua das equipes em mudança climática, direitos humanos, equidade de gênero, raça e diversidade.
  • Estabelecer metas e indicadores internos de sustentabilidade, equidade e inclusão, vinculados ao planejamento estratégico e ao acompanhamento institucional.
  • Garantir a diversidade nas equipes de auditoria, valorizando a participação de mulheres, indígenas, afrodescendentes e outros grupos historicamente sub-representados.
  • Fomentar o intercâmbio de experiências e boas práticas entre as EFS da região.
Planejamento e escopo das auditorias e avaliações
  • Incluir nos planos anuais de auditoria programas e políticas públicas relacionados à justiça climática, avaliando governança, transparência, prestação de contas e participação cidadã.
  • Identificar critérios de equidade e inclusão na fiscalização.
  • Fiscalizar a integração da justiça climática no planejamento, na implementação, no acompanhamento e na avaliação das políticas de mitigação, adaptação e gestão ambiental, verificando a eficácia da execução, o cumprimento de metas e indicadores e a correta aplicação dos investimentos previstos.
Avaliação de capacidades e recursos institucionais
  • Garantir que os recursos financeiros, institucionais e humanos destinados às políticas climáticas e de infraestrutura sustentável sejam suficientes para cumprir os objetivos estabelecidos.
  • Garantir que o Estado disponha de estruturas sólidas, com mecanismos de transparência, prestação de contas e participação social, para gerir as políticas públicas de maneira sustentável, inclusiva e equitativa.
Inclusão e participação cidadã
  • Avaliar como as políticas e os projetos afetam de maneira diferenciada as comunidades vulneráveis, prestando especial atenção à equidade intergeracional, gênero, raça, etnia, território e não discriminação.
  • Verificar se as estruturas de governança estão alinhadas com os princípios de justiça climática e se existem mecanismos funcionais de participação significativa da cidadania, especialmente das comunidades mais afetadas ou em maior risco.
Acompanhamento e recomendações
  • Garantir que, durante todo o ciclo de políticas e projetos, os organismos auditados possam reformular estratégias e corrigir falhas para assegurar maior eficácia e alinhamento com os objetivos de justiça climática.
  • Emitir relatórios e recomendações aos organismos auditados para promover uma gestão pública orientada à justiça climática, contribuindo para prevenir e reduzir riscos sociais e ambientais.

Estratégia de gênero da OLACEFS

Uma crise que não afeta todas as pessoas da mesma forma

A mudança climática não é um problema que afeta todas as pessoas da mesma forma. Essa assimetria decorre de padrões históricos de exclusão, discriminação e desigualdade econômica que a mudança climática agrava. A justiça climática exige que as políticas públicas reconheçam essa assimetria e sejam concebidas, financiadas, implementadas e avaliadas com critérios de equidade, prestando atenção especial às seguintes populações:

  • Povos indígenas e comunidades originárias
  • Mulheres rurais e indígenas
  • Famílias em situação de pobreza
  • Crianças e adolescentes
  • Pessoas idosas e pessoas com deficiência
  • Comunidades rurais e periurbanas em áreas de risco

Assim, esta plataforma se relaciona com a Estratégia de Gênero da OLACEFS: compartilha seu marco de direitos humanos, equidade e inclusão e busca traduzi-lo em critérios concretos e verificáveis para as auditorias com perspectiva de justiça climática.

Ilustração oficial sobre a Estratégia de Gênero da OLACEFS
Mapa interativo

EFS da América Latina e Caribe

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Conheça a história por trás da Plataforma de Justiça Climática